sábado, 12 de setembro de 2009

O Maniqueísmo e suas limitações

A palavra maniqueísmo origina-se do deus Mani da Mitologia Persa. Este deus tinha uma metade que representava o bem supremo e outra, distinta, que representava o mal absoluto. Assim, a base da mitologia persa era a adoração deste deus, o que representava uma eterna luta do bem contra o mal. Este tipo de ideologia está presente na grande maioria das culturas e religiões no mundo e é uma representação do pensamento dualista que persiste há milênios. A eterna luta e oposição do Bem contra o Mal, da Verdade contra a Mentira, de Deus contra o Demônio, enfim, este modelo de ver a realidade está enraizado no pensamento de quase todas as sociedades atuais ou antigas.

No entanto, quando nos libertamos desta concepção preconceituosa de ver o mundo, abrimo-nos a novas possibilidades de entendimento e por conseqüência aprendemos mais sobre nós mesmos. Obviamente não estou dizendo aqui que devemos agir ora com maldade, ora com bondade e sermos incoerentes com aqueles que nos cercam. O que digo é que devemos nos soltar das amarras destes conceitos pré-estabelecidos e, a partir daí, começarmos a entender como todos os sentimentos funcionam. Fomos ensinados, desde crianças, que sentir ódio, remorso, inveja é errado. No entanto, amor e ódio, calma e raiva, tristeza e felicidade têm muito mais semelhanças do que diferenças (mas isto é assunto para outro texto).

Se, no momento em que sentirmos ódio, por exemplo, pararmos para prestar atenção em todas as suas fases e todos os efeitos que ele provoca no nosso organismo, no nosso interior, passaríamos a entendê-lo. Assim, pode-se, com o tempo, usá-lo como um aliado, transformando-o em algo proveitoso, ao invés de ser um transtorno, ou um sentimento que gera atitudes impensadas ou impulsivas. O mesmo funciona com qualquer tipo de sentimento.

Certamente o caro leitor entendeu que não estou dizendo que ao sentir ódio devemos sair exterminando e quebrando tudo a torto e a direito. O que proponho é a análise racional do sentimento, o que não é fácil, claro, mas a melhor forma de se fazer isso é curtindo o momento, degustando e sentindo o ódio nas entranhas! Na verdade, o que se deve quebrar e exterminar é o elemento causador do ódio que está inserido em você mesmo, pois é ele (e não o ódio) que prejudica sua existência. Ressalto: o elemento causador do sentimento é interno, não é uma pessoa, coisa ou fato externo. Aliás, ao perceber isso, percebe-se que tal causador do ódio, ou de qualquer sentimento que seja, é parte de você mesmo, afinal todo e qualquer sentimento, assim como seus causadores e suas conseqüências são representações do seu próprio ser.

Sugiro que leiam Demian de Hermann Hesse para um entendimento mais profundo do tema. Lá você também irá conhecer o deus Abraxas, que é o bem e o mal unificados, sem diferenças ou separações. Abraxas incorpora o “tudo ao mesmo tempo”, diferentemente do deus Mani, que separa uma parte de seu ser para o bem outra para o mal.

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