sábado, 12 de setembro de 2009

Limbo - um poema inaugural!

Limbo


A casa do poeta é o limbo:

o esquecimento esculpe a forma,

a estrutura, o caminhar.

Deleta o certo e o errado,

apaga o que é odiar e o que é amar.


O caso do poeta está no limbo:

o obscuro e o esquecido,

o ser nada e o ser inteiro.

O poeta é o louco; o limbo o hospício

sem doutor ou enfermeiro.


O acaso do poeta é o limbo:

O tudo, o tempo e a terra.

O nada, o passado e a guerra.

O vulto, o sonho e a noite.

O corpo, o real e o açoite.


O caos do poeta está no

limbo:

ele é quem cura a verdade,

desconstrói a falsa caridade,

desarma a tola hipocrisia

e mata a rima estúpida.


A casa do poeta é o limbo:

sem rimas,

sem estrofes,

sem canção,

sem escansão.


A casa do poeta é o sim

e é o não.

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