Limbo
A casa do poeta é o limbo:
o esquecimento esculpe a forma,
a estrutura, o caminhar.
Deleta o certo e o errado,
apaga o que é odiar e o que é amar.
O caso do poeta está no limbo:
o obscuro e o esquecido,
o ser nada e o ser inteiro.
O poeta é o louco; o limbo o hospício
sem doutor ou enfermeiro.
O acaso do poeta é o limbo:
O tudo, o tempo e a terra.
O nada, o passado e a guerra.
O vulto, o sonho e a noite.
O corpo, o real e o açoite.
O caos do poeta está no
limbo:
ele é quem cura a verdade,
desconstrói a falsa caridade,
desarma a tola hipocrisia
e mata a rima estúpida.
A casa do poeta é o limbo:
sem rimas,
sem estrofes,
sem canção,
sem escansão.
A casa do poeta é o sim
e é o não.
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