sexta-feira, 18 de setembro de 2009
segunda-feira, 14 de setembro de 2009
Jornalista que atirou sapato em Bush será recebido como herói

O jornalista iraquiano Montazer al-Zaidi que jogou sapatos no ex-presidente americano George Bush, em dezembro de 2008, será recebido com festas em seu país assim que sair da prisão nos próximos dias. O jornalista, além de ter virado ídolo no Iraque, já tem várias propostas de emprego e mais que isso: segundo a imprensa internacional, alguns xeiques já ofereceram a mão de suas filhas ao jornalista.
Convenhamos, receber esse cara como herói é no mínimo um ABSURDO. Vai ter mira ruim assim lá no Iraque, pô... Da próxima vez, treina antes Montazer, aí até no Brasil você vai virar herói!
domingo, 13 de setembro de 2009
Abraxas: tudo ao mesmo tempo, o tempo todo!
“Delícias e espanto, homem e mulher associados, o mais puro e o mais nefando confundidos, funda culpa palpitando sob a mais terna inocência: assim era meu sonho de amor e assim era Abraxas.”
(Sinclair, personagem do livro Demian, de Hermann Hesse)
Hermann Hesse, em um de seus mais importantes romances, intitulado Demian, conta a história de um jovem chamado Emil Sinclair. Criado sob as regras tradicionais de uma família cristã, a personagem, de repente, encontra-se numa fase inquieta de sua vida. Quando sai de casa, quando sai do ninho onde se sentia protegido, para estudar em outra cidade, Sinclair se vê num transtorno existencial imenso. Então reaparece um antigo conhecido, Max Demian, um rapaz misterioso, extremamente maduro para sua idade. É ele quem ajuda Sinclair a entender e questionar tudo aquilo que lhe parecia sólido, como sua religião, sua família e seus conceitos sobre o mundo e sobre ele mesmo. Assim, além de mostrar-lhe o caminho para o auto-conhecimento e para uma visão mais crítica da realidade, Demian apresenta-o a um deus da Antiguidade chamado Abraxas.
Abraxas era cultuado por algumas seitas gnósticas e acreditava-se que ele reúne em si mesmo tanto o mal quanto o bem. No entanto, não os separa. Mistura-os em seu ser e, por isso, não é onibenevolente. Sua aparência é um tanto quanto exótica: tem a cabeça de um galo, o corpo de um homem e, no lugar das pernas, existem cobras.
Seu nome forma, em notação grega, o número 365. Assim, nas seitas crentes em Abraxas, acreditava-se que existiam 365 ordens de espíritos e a mais inferior dessas ordens era a Terra. Não é coincidência este número ser igual à quantidade de dias em um ano. Afinal, a palavra abraxas é originalmente um antigo termo usado pela Astronomia para designar a posição do Sol em relação às estrelas de fundo (aquelas que não conseguimos ver) durante os 365 dias do ano. Percebe-se, assim, que mais uma vez a humanidade inventou uma interpretação para algo puramente científico, transformando um termo relativo à Astronomia em um deus mítico. Não digo que isso não tenha gerado interessantes histórias fictícias, pois isso acontece sempre que as religiões e suas histórias são criadas.
Deste modo, o mais interessante nesse deus é o fato de ele ser TUDO. Não é apenas o bem (assim como o Deus cristão diz ser, mas não é) e não somente o mal. Tampouco ora é o mal, ora é o bem. Ele é tudo ao mesmo tempo. Tudo junto e misturado, como já disse um dos ícones de nossa cultura (?) popular capenga. É demônio e é deus, ódio e amor, yin e yang, o tempo todo. Convenhamos, é muito melhor acreditar num deus assim do que em um deus que nos pune até por causa de nossos pensamentos. Afinal, como Abraxas poderia nos punir por pensarmos em alguma maldade se ele mesmo é assim? Mas o grandioso neste deus está na quebra da dualidade inventada pelo homem. Nele, o mal e o bem não existem, pois são a mesma coisa, assim como devemos interpretar nossos sentimentos, como uma coisa só.
sábado, 12 de setembro de 2009
O Maniqueísmo e suas limitações
A palavra maniqueísmo origina-se do deus Mani da Mitologia Persa. Este deus tinha uma metade que representava o bem supremo e outra, distinta, que representava o mal absoluto. Assim, a base da mitologia persa era a adoração deste deus, o que representava uma eterna luta do bem contra o mal. Este tipo de ideologia está presente na grande maioria das culturas e religiões no mundo e é uma representação do pensamento dualista que persiste há milênios. A eterna luta e oposição do Bem contra o Mal, da Verdade contra a Mentira, de Deus contra o Demônio, enfim, este modelo de ver a realidade está enraizado no pensamento de quase todas as sociedades atuais ou antigas.
No entanto, quando nos libertamos desta concepção preconceituosa de ver o mundo, abrimo-nos a novas possibilidades de entendimento e por conseqüência aprendemos mais sobre nós mesmos. Obviamente não estou dizendo aqui que devemos agir ora com maldade, ora com bondade e sermos incoerentes com aqueles que nos cercam. O que digo é que devemos nos soltar das amarras destes conceitos pré-estabelecidos e, a partir daí, começarmos a entender como todos os sentimentos funcionam. Fomos ensinados, desde crianças, que sentir ódio, remorso, inveja é errado. No entanto, amor e ódio, calma e raiva, tristeza e felicidade têm muito mais semelhanças do que diferenças (mas isto é assunto para outro texto).
Se, no momento em que sentirmos ódio, por exemplo, pararmos para prestar atenção em todas as suas fases e todos os efeitos que ele provoca no nosso organismo, no nosso interior, passaríamos a entendê-lo. Assim, pode-se, com o tempo, usá-lo como um aliado, transformando-o em algo proveitoso, ao invés de ser um transtorno, ou um sentimento que gera atitudes impensadas ou impulsivas. O mesmo funciona com qualquer tipo de sentimento.
Certamente o caro leitor entendeu que não estou dizendo que ao sentir ódio devemos sair exterminando e quebrando tudo a torto e a direito. O que proponho é a análise racional do sentimento, o que não é fácil, claro, mas a melhor forma de se fazer isso é curtindo o momento, degustando e sentindo o ódio nas entranhas! Na verdade, o que se deve quebrar e exterminar é o elemento causador do ódio que está inserido em você mesmo, pois é ele (e não o ódio) que prejudica sua existência. Ressalto: o elemento causador do sentimento é interno, não é uma pessoa, coisa ou fato externo. Aliás, ao perceber isso, percebe-se que tal causador do ódio, ou de qualquer sentimento que seja, é parte de você mesmo, afinal todo e qualquer sentimento, assim como seus causadores e suas conseqüências são representações do seu próprio ser.
Sugiro que leiam Demian de Hermann Hesse para um entendimento mais profundo do tema. Lá você também irá conhecer o deus Abraxas, que é o bem e o mal unificados, sem diferenças ou separações. Abraxas incorpora o “tudo ao mesmo tempo”, diferentemente do deus Mani, que separa uma parte de seu ser para o bem outra para o mal.
Limbo - um poema inaugural!
Limbo
A casa do poeta é o limbo:
o esquecimento esculpe a forma,
a estrutura, o caminhar.
Deleta o certo e o errado,
apaga o que é odiar e o que é amar.
O caso do poeta está no limbo:
o obscuro e o esquecido,
o ser nada e o ser inteiro.
O poeta é o louco; o limbo o hospício
sem doutor ou enfermeiro.
O acaso do poeta é o limbo:
O tudo, o tempo e a terra.
O nada, o passado e a guerra.
O vulto, o sonho e a noite.
O corpo, o real e o açoite.
O caos do poeta está no
limbo:
ele é quem cura a verdade,
desconstrói a falsa caridade,
desarma a tola hipocrisia
e mata a rima estúpida.
A casa do poeta é o limbo:
sem rimas,
sem estrofes,
sem canção,
sem escansão.
A casa do poeta é o sim
e é o não.
OPEN BAR!
FÁBRICA DE LIMBO: pois é... shit happens!